quarta-feira, 18 de março de 2009

Clodovil

polêmico
exagerado
extravagante
amado
odiado

e mais uns 400 adjetivos...
foi um artista


palheta de cores da aquarela

Vou sentir falta...


terça-feira, 17 de março de 2009

Maximalismo

Procurei e procurei, mas não achei uma boa definição para este termo, então ajuntei algumas coisas e costurei tudo com minhas idéias.

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Antes de mais nada, é bom deixar claro que maximalismo não tem nada a ver com esta onda de max-acessórios.

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Como todos movimentos, este também é amplo e quer englobar tudo. Aqui a máxima é "More is more", ou ainda “Less is bore”.
O detalhamento é a parte essencial, portanto o Maximalismo está ligado a um desenho elaborado, com uma preocupação que envolve todas as escalas do objeto, do macro ao micro, criando uma peça visualmente rica e complexa. Em literatura chamam de ‘realidade histérica’, e está ligado a aqueles escritores que descrevem tudo com precisão enciclopédica (senão me engano os livros do Jô Soares são assim).


As obras deste ‘movimento’ podem as vezes parecer caóticas, por não seguirem um padrão claro, mas possuem uma ordem interna, como os fractais por exemplo.

Em boa parte dos expoentes deste movimento combinam tradições históricas e práticas culturais com a vontade de fazer arte, com o pensamento contemporâneo, e produzem algo novo.

Com isso vem o resgate do artesanato e a valorização de manifestações artísticas tradicionais. Por isso vemos aí a valorização do bordado, do tricot, do trabalho manual, e da peça única, dramática, que acentua a personalidade de quem usa.
Isso tudo traz uma valorização do indivíduo (o individual está no coração), na busca de coisas com alma, de um ambiente mais ‘vivo’. E como este indivíduo lida com a influência externa? Talvez como o Movimento Antropofágico (Oswald de Andrade, 1928), sem cair na armadilha modelo e cópia.

O mundo onírico é bastante presente, justamente porque a imaginação do criador vai além (se você for dar corda para minha imaginação, que ela seja infinita!).

Por um bom tempo o maximalismo estava relacionado ao mal gosto (para alguns ainda está), aos novos ricos que sem refinamento algum gostavam de esbanjar e de muita opulência. O mercado produziu o que estas pessoas queriam consumir (roupas, carros, casas, pinturas), era moda. Hoje vivemos outros tempos e o público alvo não é o mesmo.
Estas são algumas palavras-chaves: Justaposição – heterogeneidade – policromia – amalgamar - bombardear

Alguns exemplos:

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Me identifico muuuuuuuito.


segunda-feira, 16 de março de 2009

Manish Arora


Estilista indiano que trabalha com uma palheta de cores vivas, motivos kitsch e pop. Suas peças são carregadas, com uma diversidade de combinação de cores, mistura de estampas e materias, semelhante a imagem que temos da Índia, um caos organizado. Quando vi imagens de seu último desfile decidi que teria que postar algo sobre ele, então fiz uma rápida pesquisa.

Suas peças possuem uma silhueta contemporânea que se contrapõe com os sistemas tradicionais de manufatura indiana (bordados, apliques e o trabalho com contas e miçangas).

Práticas tradicionais
Como um bom representante do maximalismo, seu desenho é incrivelmente detalhado, visualmente rico, sua roupa acentua e dramatiza a personalidade de quem usa.
Arora estudou no National Institute of Fashion Tecnology (
NIFT) em Nova Deli, e lançou sua marca na Índia em 1997 (ver breve histórico no fim). Em 2005 começou a desenvolver parcerias com grandes marcas mundiais, tendo desenvolvido desde então linhas e edições limitadas para a Reebok, para a M.A.C, para a Swatch, para a Nívea e para a Inspecs.
Em 2006 Manish Arora já tinha 75 lojas pelo mundo que vendiam suas roupas, e um dos maiores reconhecimentos do valor de seu trabalho veio em 2007, quando o Victoria & Albert Museum o convidou para realizar uma retrospectiva das coleções que apresentou na semana de moda londrina. O evento se chamou “V&A Fashion in Motion”, e foi realizado em 2007.
A partir da sua coleção Primavera/Verão 2008, passou a participar da Semana de Moda de Paris.

Paleta de cores (minha nova mania, peguei aqui no Blog da Márcia Mesquita)

Na sua coleção Outono/Inverno 2008, teve como tema ‘Guerreiros’, e Manish teve a colaboração dos artistas plásticos Keiichi Tanaami (estampas) e Subodh Gupta (cenário), e fez uma parceria com a Walt Disney Company. A coleção apresentou formas de cavaleiros, samurais, armaduras, e Pateta, Minie e Mickey apareceram em bordados e estampas usando roupas de guerreiros.

(quer saber mais sobre Subodh Gupta? Aqui ou aqui)


(quer saber mais sobre Keiichi Tanaami? Aqui)

Durante a Semana da Moda de Paris, além de apresentar sua coleção Primavera/Verão 2009, Arora vestiu também o ‘Paris Bourse’, um dos prédios mais importantes da cidade. Sua coleção, como o tema ‘Circo’, trouxe tons mais rebaixados. Adoro essa peça 'carrosel', e também algumas outras com uma cara bem 70's, largonas.


Na minha humilde opinião de observador da moda, o trabalho de Arora se assemelha ao trabalho dos estilistas Walério Araújo e Ronaldo Fraga, que são estilistas que parece que transportam informações do meio onde vivem para suas peças (Walério traz a noite, o mundo das boates e Dragqueens; e Ronaldo traz Minas Gerais, o artesanato, o cotidiano e popular).



“I Think fashion is hopeful and inspiring and should continue to be just that.”
(sobre a crise mundial, em entrevista ao Interview Style File Blog, 2009)

“I am one fo the few designers who can put so many colors together in one fashion collection and still looks convincing.”
(ao falar do uso das cores, no lançamento de sua coleção de óculos, 2008)

Quer saber mais sobre ele? viste seu site.

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(Espero que as pessoas então o porquê deste post aqui num blog dedicado a figurino - e pelo amor, não tem nada a ver com a 'Caminhos da Índia' - eu acho)
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segunda-feira, 9 de março de 2009

Os Tudors (2007) - 1ª temporada

The Tudors
(2007)
figurinista: Joan Bergin

Elenco principal

Jonathan Rhys Meyers,32, nos extras do dvd da série, fala de um rei Henrique VIII alto, 1,90m, loiro, cabelos compridos, jovem, e a atriz Natalie Dormer (ana Bolena) fala de um rei esportista e desejado pelas mulheres pela sua beleza e erudição. Isso tudo é bem diferente do rei que ficou em minhas lembranças das aulas de história e das páginas de enciclopédias.

Henrique VIII por aí

Aceitando este rei que me oferecem, o figurino é excelente (Joan Bergin, que por este trabalho ganhou o Emmy de melhor figurino para série de TV em 2007 e 2008).


Joan Bergin, recebendo o prêmio de 2008

Acho que não se propõem a ser fiel, super realista e tal, passa a impressão de uma época sem liberdades criativas aparentes. Em uma entrevista, Joan Bergin fala que se inspirou nas roupas originais da época e nas roupas que se inspiraram nesta época (como uma coleção do Balenciaga). Uma grande desconstrução para compor este figurino super elaborado.

Figurino inspirado em Degás e Balenciaga

A idéia era que não ficasse com cara destes dramas épicos que aparecem na TV, estava em busca de algo que enchesse as vistas dos espectadores, que causasse impacto, que eles dissessem ‘Uau! Era assim que eles viviam!’.

Ana Bolena e Henrique VIII

Alguns elementos modernos foram inseridos para trazer isso (alguns tecidos modernos aqui, uma mudancinha na modelagem ali – como as roupas justas do rei para realçar o físico). Mas, ao mesmo tempo, existem peças feitos com uma preocupação quase museulógica, seguindo detalhes e desenhos da época.

São mais de mil figurinos, muito mais do que seria necessário para um longa-metragem.
A primeira temporada é dominada pala cor preta, cores mais fortes pontuam algumas cenas, como por exemplo o amarelo, que em geral aparece em algumas roupas do rei ou da rainha.
A palheta é rebaixada, reforçando a aparência de gasto, antigo, criando um bela relação com o cenário e formando uma imagem coesa.

Ana Bolena discute com Henrique VIII (a cima)
e Catarina de Aragão na Igreja (a baixo)

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Muito interessante a forma como retrataram o rei português, deixando claro que se trata de um país mais pobre e essencialmente rural (com uma pitada de ignorância). Principalmente o detalhe do pé sujo do rei morto na cama. Talvez a corte portuguesa precise de uma série como esta para alterar a sua imagem...

Henrique VIII (Jonathan Rhys Meyers) – 1491/1547
Ana Bolena (Natalie Dormer) – 1500/1536
Catarina de Aragão (Maria Doyle Kennedy) – 1485/1536
Thomas Cromwell (James Frain)
Thomas More (Jeremy Northam)


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Um fato interessante que vi na internet sobre a série é que eles reutilizaram dezenas de figurinos e acessórios de outros filmes de época.

O mesmo vestido de ‘Shakespeare Apaixonado’ aparece no 10° episódio
A mesma coroa de ‘Elizabeth’ aparece na cabeça de Catarina de Aragão

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“The big danger as a designer is falling into a very stylized and purely visual set of ideas about the costumes. It’s crucial to remember that these were real people, not portraits or models. I think that the success of The Tudors has been that audiences are looking at these historical characters in costumes and settings that they can understand rather than just odd and remote contexts. The costumes go on the journey with the characters.”

Joan Bergin,
figurinista irlandesa, que estudou arquitetura entrou em contato com o mundo do figurino quando era atriz de uma companhia de teatro. Fez o figurino de três filmes de Daniel Day-Lewis – ‘Meu Pé Esquerdo’, ‘Em Nome do Pai’ e ‘O Lutador’.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Uma grande estrela

Gloria Swanson
22 de março de 1899 / 04 de abril de 1983

Era baixa (1,51m), fazia dieta macrobiótica e foi uma das maiores atrizes do cinema mudo americano, uma espécie de Marilyn Monroe de sua época.
Foto de Gloria para a Revista Variety em 1929.

Começou em 1915 ganhando $3,25 dólares por dia (com apenas 16 anos), fazendo comédias leves, e pelas mãos de Cecil B. DeMille se transformou em uma atriz elegante e charmosa.
Fez por volta de 70 filmes (64 entre 1915 e 1934, época em que ganhou cerca de 8 milhões de dólares).

Teve uma série de maridos e um célebre romance com Joseph P. Kennedy (pai de John Kennedy), que chegou a lhe financiar um filme: Queen Kelly, dirigido por Eric Von Stroheim, que talvez por coincidência (ou não) faz o papel de mordomo, ex-diretor e ex-marido de Norma Desmond em ‘Crepúsculo dos Deuses’. Trechos deste filme, que permaneceu inacabado aparecem durante o filme.

Concorreu ao prêmio de Melhor Atriz na Primeira Premiação da Acadêmia em 1929 por seu papel em ‘Sadie Thompson’. E sua carreira prosseguiu cheia de sucesso, mesmo com a chegada do cinema falado, até decidir dar um tempo ao cinema em 1934.

E seu grande retorno só aconteceu mesmo em 1950, com ‘Crepúsculo dos Deuses’ (salário: $ 50.000), após uma tentativa frustrada em 1941 (Father Takes a Wife).
Mas não foi uma grande volta aos cinemas (fez mais 4 filmes apenas), foi uma volta que lhe rendeu mais frutos na televisão, aparecendo em diversas séries e programas.
Leia uma entrevista feita em 1957
aqui.

Para quem contracenou com um leão em um clássico de Cecil B. DeMille (Male and Female,1919), não foi nada enfrentar abelhas vivas em seu penúltimo filme (Killer Bees,1974), um clássico do cinema trash que passou diversas vezes na madrugada da televisão brasileira (acho que no SBT).
Em sua última produção (Aeroporto 1975,1974), além de fazer o papel de si mesma, Gloria Swanson escreveu suas próprias falas, todas fantásticas e espirituosas, como este diálogo aqui:

“Winnie: - Oh, it's so beautiful!
Swanson: - Every morning is beautiful, you're just too young to know! “